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"[O transporte público] é uma concessão que o Município faz a uma empresa privada [Grande Londrina], que tem contrato, se não me engano, por 15 anos, prorrogáveis por mais 15. Foi feito em 2004, e é um contrato por 30 anos, e acaba só em 2034."

A fala que causa medo e arrepios é do vereador Glaudio, petista e lider do executivo na Câmara, pronunciada na sessão do dia 28/06/2007.
Até onde sabemos, o processo de licitação está muito bem trancado e, ao que parece, o executivo resolveu engolir a chave. Ninguém sabe muito bem quais são os itens assinados nessa licitação duradoura:
* A empresa pode alterar o padrão dos ônibus (reduzir o tamanho, por exemplo), economizar na frota/trabalhadores/custos e de quebra aumentar a passagem?
* Alias, quem dá o aval para esse tipo de reajuste? Quem vê as planilhas e analisa a proposta de aumento?

A resposta é clara: CMTU e Executivo. Juntos, empresa privada, autarquia e executivo, são responsáveis pelas ações futuras no transporte publico, seja a comprovação da ilegalidade no processo de revisão tarifário ou ainda responsável pelo acordo vitalício com a Grande Londrina.
Este ano a empresa já solicitou o aumento. A CMTU está analisando e disse não ter medo de protestos do Movimento Passe-Livre.

Agora fica a pergunta: Qual é a moral de uma empresa avarenta que presta um serviço mesquinho (ônibus cada vez menor; os motoristas são os responsáveis em cobrar as passagens; horários bagunçados; numero irrisório de veículos disponíveis nas ruas; aumentos que afrontam o bolso do usuário)? Só para lembrar: Moral de uma empresa (TCGL) que esta sendo acusada de pagar mesadas para vereadores londrinenses.

Um projeto de lei para legitimar a lei não legitimada

Ironicamente, um projeto de lei que defende a distribuição de trinta créditos para presidente de bairros e favelas recebeu parecer contrário da Comissão de Justiça. Ah, e antes que algum colunista compre a crítica pelo título, o projeto de lei nº 48/2008 do vereador Roberto Fú, nada mais é que uma legitimação da lei - uma cobrança escancarada de algo que já existe e não é cumprido. Segue um trecho proposta:

E assim afirmamos porque está em plena vigência e funcionamento a Lei Municipal nº 5.428, de 21 de junho de 1993, que determina às empresas concessionárias e permissionárias do transporte coletivo urbano no Município de Londrina que concedam mensalmente, a cada presidente de associação de bairros, conjuntos habitacionais ou favelas, trinta passes de ônibus.
Por força dessa lei, as empresas que hoje exploram o transporte coletivo de passageiros fornecem aos presidentes de associação de moradores trinta passes por mês.
Com a nossa proposta, em vez de as empresas fornecerem trinta passes, irão fornecer cartão com trinta créditos mensais.
Como se vê, não haverá nenhuma alteração de ordem legal, econômica ou financeira no ordenamento jurídico vigente nem no contrato firmado pelo Município com as atuais empresas do transporte coletivo municipal.
Esta é a parte irônica: já existe uma lei na "ativa" desde 1993. Ativa ou não, não conheço nenhum presidente de bairro que usufrua dela.
A atendente Terezinha do 0800 da Grande Londrina desconheceu o assunto quando eu perguntei; O mesmo na CMTU quando eu questionei a Jaqueline, que voltou segundos depois com a informação direto de um diretor de transporte, "ninguém nunca ouviu falar disso".
Para fechar os absurdos, o parecer contrário da Comissão de Justiça:
Tramitação: - A Comissão de Justiça afirma que a presente iniciativa é inconstitucional e ilegal por afronta aos artigos 5º, XXXVI, e 37, XXI, da CF e a diversos dispositivos de leis especiais (Lei de Licitações e Lei de Concessões Permissões, dentre outras) que asseguram ao contratado a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato inicialmente ajustado, por isso manifesta-se contrariamente à tramitação deste projeto, em 29.4.2008.
Se a função da Comissão de Justiça é "opinar sobre o aspecto constitucional, legal, jurídico, regimental e de técnica legislativa de todos os projetos de emenda à Lei Orgânica do Município de Londrina, de lei, de decreto legislativo e de resolução", me parece que nessa proposta faltou detalhes na análise.
Para fechar, Gláudio é presidente da Comissão de Justiça, é lider do Executivo na Câmara e está com o nome na lista dos que recebiam a mesada da Grande Londrina e, assim como vários outros vereadores, é suspeito de estar em várias outras que correm por ai.


PS: Será que na planilha anual consta reembolso dos R$ 8 milhões que as empresas concessionárias tiveram em faturamento ilegal (leia aqui)?

Saiu no Congresso em Foco dessa semana: Três emendas idênticas foram suficientes para que as bolsas de valores garantissem a isenção da cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), proposta pelo governo na MP 413/2008 para compensar as perdas com o fim da CPMF.
Não muito surpreso, entre os que participam dessas emandas está Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). Ele, pra quem não leu a postagem que falava sobre o envolvimento de politicos e o capital privado, foi beneficiado pela BM&F com R$ 100 mil em sua campanha de 2006, também houve receita de R$ 20 mil da Bovespa e mais R$ 10 mil da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Segue um trecho da postagem:

A Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), que ajudou Hauly com R$100 mil, tem uma paquera duradoura com o deputado tucano. Mesmo recheando a sua esperança de futuro deputado com sentimentos milionarios, a BM&F o convidou para um tour em território estadunidense onde ele e mais 6 companheiros, todos com as despesas devidamente pagas, visitaram bolsas de valores, universidades e órgãos do governo americano, além de participarem de uma solenidade de entrega do título de "Homem do Ano 2007" para o presidente da BM&F, Manoel Felix Cintra Neto. As informações são do Congresso em Foco.
Entre contradições e explicações, os deputados alegam que as bolsas são "apenas intermediários financeiros" e ficam livres da cobrança. Logo depois que os deputados isentaram a BM&F e outras bolsas, como a Bovespa e a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), as ações destas empresas tiveram uma alta imediata. "Os papéis da Bovespa subiram 6,9%, mas encerraram o dia 28 com cotação de R$ 22,00, alta de 4,16%. No mercado das ações da BM&F, a valorização máxima foi de 6,6% no mesmo dia. Elas fecharam cotadas a R$ 14,49, alta de 5,84%", informa a matéria do Congresso em Foco.
Quando, via correspondência eletrônica, questionei Hauly sobre o motivo das empresas privadas investirem tanto em candidatos a cargos publicos, o deputado me disse que não sabe a resposta. "Sei que para fazer campanha os candidatos precisam de patrocínio e claro, se recorre às pessoas com quem se tem boas relações. Também não sei se é tanto, depende da avaliação e da capacidade da empresa". Dos 62 candidatos ajudados pela BM&F na ultima eleição, 39 conseguiram ser eleitos - e destes, mais de 60% eram deputados federais.

Mas o quase tudo, quase sempre é quase nada

Para Gustavo Munhoz, pós-graduado em direito constitucional e que há alguns anos trabalha na área de direito eleitoral, "O simples fato de A ou B ser em tese beneficiado com um ato de uma pessoa eleita para um cargo dessa natureza, seja ele um executivo ou um legislativo, aliado ao fato dele ter contribuído para a campanha, por si só, não gera qualquer tipo de ilegalidade". Gustavo me explica que o "desvio de finalidade" pode gerar a ilegalidade, isso é, quando o eleito a cargo publico beneficie um particular, deixando de lado o interesse publico.
Somente com uma investigação, normalmente partindo do Ministério Publico que pode ir além dos dados disponíveis online, é que mostrará se existe ou não algo que indique improbidade administrativa.
A emenda que beneficiou as bolsas tem amparo na lei 8212/91.
Portanto, como disse Gustavo, "todos são inocentes até que se prove o contrario".
Ainda assim, quando falamos de lobby hoje em dia, algo que me diz que "todos são os contrários, até que se prove a inocência".

A revista semanal IstoÉ, em matéria intitulada “MST Contra o Desenvolvimento”, coloca uma foto dos militantes do Movimento ao lado de uma placa “PARE”, assim, divulgando através do título e da foto a sua visão sobre os sem-terras. A revista foi além quando, através de uma matéria da Agencia Brasil de Fato, descobre-se que a foto da matéria foi manipulada digitalmente. A IstoÉ deixa evidente que mais do que não simpatizar com o MST, ela defende partidos e políticos nas suas veiculações semanais, indo totalmente contra a auto-titulação “Independente”, que esta em destaque no sítio da revista.

"Houve realmente manipulação por photoshop da imagem dos sem-terra, com intenção absolutamente estética (...) não houve nenhuma ordem, nenhuma orientação política, nenhum dolo. Houve um mal-entendido"
Cesar Itiberê, editor-executivo da agência IstoÉ, para FSP *

Obs: Realmente, Sr. Cesar, "Fora SERRA" foge dos padrões da estética pré-estabelecida... "Pare MST" é bem mais belo para a tipografia da revista - e em termos conceituais, é muito acatado pelo publico alvo do periódico semanal IstoÉ.


(*)
informações inseridas após o dia 11/04

Ela (ainda) não Cansou?

2 comentários



Se não fosse muito previsível, poderia até soar como "Olhe, ela conseguiu mais um espaço na publicidade". Mas, para ajudar a sua memória, amigo web-leitor, Ivete Sangalo - junto com a trupe que vai desde Hebe Camargo (a mesma Dama da Ditadura, que na Marcha da Familia com Deus dava aulas de anticomunismo e apoio ao regime militar) a Agnaldo Rayol (esse só estava vendendo a voz) -, participou do Cansei e seus respectivos protestos em prol da classe média (nota do autor: cômico, partidário e oportunista).

Onde entra a Philips?

Simples. Para protestar contra atrasos na aviação - e a volta de um governo neoliberal no sentido literal, com aquele jeito tucano de ser -, eles (alguns nomes logo abaixo) precisavam de patrocínios e gente à toa, e é quando entra a Philips e a "Grande Mídia"; Hebe Camargo, Ivete Sangalo, Ana Maria Braga, Regina Duarte, entre outros.
Depois do papo no escritório do empresário Dória Jr. (amigo próximo do tucano Geraldo Alckmin), junto com apoio do presidente da OAB-SP, Flávio D'Urso (defensor do casal Renascer) e idealizado por Jesus Sangalo (adivinhem quem é a irmã dele?), nasce o Movimento Cívico pelos Direitos dos Brasileiros - Cansei.

"Somos a Elite decente, fora Mula"
Gritos e cartazes do Cansei, 2007, Hebe presente

"Um, dois, três, Jango no xadrez"
Gritos da Marcha da Vitória, 1964, Hebe presente

Jesus chamou Paulo Zottolo, presidente da Philips, para entrar na dança. Zottolo colaborou muito (com grana e) com a sua opinião de que "não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir, ninguém vai ficar chateado", depois pediu desculpas e notou que a sua frase foi infeliz - porém, digna do Movimento que o encampa.
Portanto, chegamos ao ponto previsível: Ivete Sangalo e Philips. Não há conquista alguma, apenas o óbvio.
E para o Cansei, que já cansou, resta-nos a verdade no desenho de Claudius:

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